10 de Outubro Dia Mundial da Saúde Mental


SAÚDE MENTAL E TRABALHO

Em nossa sociedade, o trabalho é mediador de integração social, seja por seu valor econômico (subsistência), seja pelo aspecto cultural (simbólico), tendo, assim, importância fundamental na constituição da subjetividade, no modo de vida e, portanto, na saúde física e mental das pessoas. Pode ser tanto meio de realização de potencialidades, de satisfação e prazer, como de sofrimento e adoecimento. Condições favoráveis à livre utilização das habilidades dos trabalhadores e ao controle do trabalho pelos trabalhadores têm sido identificadas como importantes requisitos para que o trabalho possa proporcionar prazer, bem-estar e saúde, deixando de provocar doenças. Por outro lado, o trabalho desprovido de significação, sem suporte social, não-reconhecido ou que se constitua em fonte de ameaça à integridade física e/ou psíquica, pode desencadear sofrimento psíquico.
A contribuição do trabalho para as alterações da saúde mental das pessoas dá-se a partir de ampla gama de aspectos: desde fatores pontuais, como a exposição a determinado agente tóxico, até a complexa articulação de fatores relativos à organização do trabalho, como a divisão e parcelamento das tarefas, as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica organizacional. Os transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho resultam, assim, não de fatores isolados, mas de contextos de trabalho em interação com o corpo e aparato psíquico dos trabalhadores.

Trabalho como Potencializador de Saúde:

  • Espaço de estímulo à autonomia
  • Participação dos trabalhadores nas decisões
  • Espaço de relações solidárias
  • Saúde Mental no Trabalho pode ser entendida como o próprio movimento dos trabalhadores na busca de melhorias das condições e organização do trabalho
  • Possibilidade de interferir na sua realidade de trabalho


Trabalho e Sofrimento:

  • Pressão
  • Mecanismos de Controle
  • Tarefas Fragmentadas
  • Ritmo acelerado
  • Falta de controle sobre a execução da tarefa
  • Relações hierárquicas rígidas e autoritárias
  • Divisão entre Planejamento e Execução
  • Estímulo à competitividade e à individualidade
  • Não reconhecimento das diferenças e padronização dos trabalhadores
  • Cobranças de produção
  • Jornadas de trabalho longas, com poucas pausas destinadas ao descanso e/ou refeições de curta duração, em lugares desconfortáveis


Lista de Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionados ao Trabalho, de acordo com a Portaria/MS n.° 1.339/1999

  • Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02.8)
  • Delirium, não-sobreposto à demência, como descrita (F05.0)
  • Transtorno cognitivo leve (F06.7)
  • Transtorno orgânico de personalidade (F07.0)
  • Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado (F09.-)
  • Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho) (F10.2)
  • Episódios depressivos (F32.-)
  • Estado de estresse pós-traumático (F43.1)
  • Neurastenia (inclui síndrome de fadiga) (F48.0)
  • Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional) (F48.8)
  • Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos (F51.2)
  • Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out g, síndrome do esgotamento profissional) (Z73.0)


FONTE: Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde / Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. - Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001.

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